CANDEIA - A MURALHA VERDE

Candeia:

Sabemos que você é amigo do Oberdan Cattani, o famoso ex-goleiro do Palmeiras, como essa amizade começou?

Osni:

Aconteceu em novembro de 1.998. Um amigo, torcedor do São Paulo, ficou sócio do Palmeiras. O Parque Antártica fica perto da casa onde mora, e, como é o melhor clube da Zona Oeste, acabou se associando. Um dia, ainda empolgado com as piscinas, quadras esportivas e, principalmente com o ambiente, disse-me que sempre encontrava ex-jogadores do Palmeiras, que freqüentavam o clube nos finais de semana. Disse-me que o Oberdan era a maior atração e vivia rodeado de admiradores, dando autógrafos ou deixando-se fotografar, ao lado dos fãs. Escrevi uma carta e pedi para que ele a entregasse ao guardião. A resposta veio logo na segunda feira: O Oberdan queria me conhecer. Fui até a casa dele e aí, então, teve início essa amizade.

Candeia:

E vocês  se encontram com freqüência?

Osni:

Nós nos encontramos sempre. Uma vez a cada dois meses fazemos um churrasco na minha casa, sempre aos sábados e, também, a cada dois meses, intercalando, reunimos a turma para jantar em São Paulo. São mais ou menos 20 pessoas. O Oberdan é o líder e aí formamos o grupo que é chamado de “Turma do Oberdan”. Fiori Giglioti, Mustafá Contursi, o Turcão, o Dudu, o Dorival Salles, o Heitor, o Fábio Crippa, o Delmo, o Franco, o João de Simoni, o cantor Sérgio Reis e outros, fazem parte da turma e, às vezes, até o ex-governador Laudo Natel. Além disso, nos encontramos no Parque Antártica, quando vou para São Paulo, nos finais de semana. Pelo telefone, então, a gente conversa, pelo menos uma vez por semana. Quando eu não ligo pra ele, ele liga pra mim.

Candeia:

Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre o Oberdan?

Osni:

A idéia foi do Dorival Salles. Ele é amigo do escritor João Carlos Pece, irmão do Toquinho, músico que ficou famoso ao lado do Vinícius. Um dia, vendo que livros e mais livros sobre jogadores estão sendo lançados, pensou no Oberdan e foi falar com o João Carlos, que topou imediatamente. Acontece que, depois, pensando melhor, achou que quem conhece mesmo o Oberdan, pela convivência diária, sou eu e que por conhecer o lado emocional do guardião, conseguiria colocar um pouco de emoção na história e que qualquer outra pessoa, por não ter esse conhecimento, faria um livro muito técnico e frio. Foi aí que me escolheram. No começo, eu achei que a responsabilidade era muito grande, porque, se o livro não saísse na altura do que foi a carreira desse homem, que é considerado o maior goleiro do mundo, eu estaria prejudicando sua história e as novas gerações não poderiam saber da grandeza do nosso querido “paizão”, porque, para eles, vai valer o que ficou registrado. Depois de tanto pensar, senti que a honra de escrever sobre esse mito era um presente que o bom Deus estava colocando em minhas mãos, entendi acreditei que me daria também inspiração e foi mesmo - o livro está aí, lindo, lindo e agradando a todos. “Oberdan Cattani, a muralha verde” está lindo.

Candeia:

Qual é a importância desse livro?

Osni:

Para mim, a importância maior é que o meu amigo ficou muito feliz. Isso é muito importante e vocês não imaginam o que é estar tão próximo de um grande ídolo e de ligar o meu nome e de minha cidade ao do mauior goleiro do mundo. Outra coisa é que as futuras gerações, aquelas que virão daqui 10, 20 ou 30 anos, poderão conhecer a história verdadeira de um homem que deu a vida para o seu time de futebol. Jogou por amor. Seus contratos eram assinados em branco e o clube colocava aí o valor que bem entendia. Hoje, sabemos que não é assim. Os jogadores ganham uma fortuna e não respeitam as cores que vestem e mais, nem todos respeitam os torcedores do time que jogam.

Candeia:

Onde você encontrou tantas informações para registrar no livro?

Osni:

O fato do nosso guardião estar vivo e contar com memória prodigiosa foi o fator que mais valorizou o livro. Ao longo da nossa convivência, ouvi dele toda tudo o que aconteceu ao longo de sua vida, todos os detalhes da carreira. Já o vi chorar nem sei quantas vezes, já o vi sorrir também e sei que é impossível uma pessoa amar o seu time de futebol mais do que ele. Em nossos encontros, o assunto da carreira é inevitável e ainda mais, ele tem todos os recortes dos jornais, de 1.940 pra cá. São sete cadernos trazendo, ano a ano, todos os recortes dos jornais e até as cartas de amor, trocadas com sua esposa, com quem viveu uma maravilhosa e invejável história de amor. Aí existem jornais de todos os cantos do planeta. Até na África falavam do goleiro das mãos grandes. O Oberdan é tão grande que poucos podem imaginar.

Candeia:

E você acha que ele foi mesmo o melhor do mundo?

Osni:

Eu não tenho dúvida. Nos anos 40 ele era considerado o melhor goleiro da América, conforme registram os jornais que acompanharam o Sul-americano do Chile. Jornais da Argentina, Chile, Uruguai e de todos os países registram que ele era o melhor. O futebol da Europa estava nas trincheiras e não nos gramados. Nada de futebol por lá e, acho que se houvesse, mesmo assim o Oberdan seria o melhor. Basta ver as fotos registradas nos jornais chegar a essa conclusão. Ele era capaz de voar meio corpo acima dos adversários, era mesmo de outro planeta. No livro, fiz questão de colocar algumas dessas fotos.

Candeia:

E a nossa cidade, é mencionada no livro?

Osni:

É claro que eu dei um jeitinho e coloquei Bariri para voar comigo nas asas do Oberdan. O Cabeção e o Badula cederam-me algumas fotos daquele jogo em que o antigo União enfrentou o Juventus, no aniversário da cidade, em 1.955. Eu não pensei duas vezes e, lá está Bariri, presente no livro. Até o nome do Prefeito Juca Masson, do Orlando Beluzzo e do Seu Túlio Beltrame registrei no livro. Coloquei também o nome do Seu Galbetti, antigo dono do Hotel Internacional e o nome do Bar do Ulisses. O nome do Gari Borges também está no livro.

Candeia:

E como está sendo a aceitação?

Osni:

O livro está agradando muito. Todo dia recebo informações, por e-mail ou por telefone, de pessoas que leram e gostaram. Na semana passada, o ex-presidente da Volkswagem, que se aposentou no ano passado, mandou-me um recado, através do publicitário João De Simoni. Pediu para o publicitário me comunicasse a sua satisfação. No sábado, 12 de junho, estive com o Miguel Colassuono, ex-prefeito de São Paulo que pediu para que enviássemos um livro pra ele. Domingo, dia 20, em Itatiba, o ator Luís Gustavo, da novela Beto Roquefeller comprou um livro. Veja o que esse livro está fazendo, eu sei que estou voando com as asas do Oberdan, é claro, mas eu, ficar dando autógrafos para pessoas tão importantes, que, na verdade, eu é que deveria estar pedindo, está sendo uma coisa que eu ainda não estou acostumado.

Candeia:

E o lançamento, quando será?

Osni:

O lançamento no Parque Antártica será no dia 30 e outras cidades também estão solicitando. A primeira foi Itatiba e o lançamento aconteceu no dia 20 de junho. Lá, o número de palmeirenses é muito grande e o Oberdan tem muitos admiradores. O prefeito da cidade e a comunidade de palmeirenses preparou o lançamento e fomos recebidos com muita festa. O Oberdan é realmente um mito. Ele ainda consegue parar o trânsito e eu, como disse, estou voando com as asas dele. Sorocaba, a cidade onde nasceu está tentando agendar uma data para o lançamento.

Candeia:

E Bariri, quando será?

Osni:

Vamos deixar passar essa agitação e depois, com mais calma, lançar também em Bariri. Esperamos que isso aconteça em agosto. O professor Jair Davides vai promover um encontro de palmeirenses para comemorar os 90 anos do Palmeiras e a vinda do Oberdan, acompanhado por outros jogadores, poderá ser uma boa atração para o encontro.

Candeia:

Como o Oberdan está recebendo o livro que conta a sua história?

Osni:

O nosso maior goleiro está muito feliz. Esse ano está sendo ótimo para ele. Primeiro foi homenageado pelo Palmeiras, que mandou esculpir suas mãos em bronze e no tamanho natural. Depois veio o livro que o emocionou muito. Em seguida, recebeu o título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo. Isso tudo, sem contar que chegou aos 85 anos esbanjando saúde. Eu digo que esse é o Ano da Graça do nosso “paizão”.

Candeia:

E agora, qual será o próximo livro?

Osni:

Vamos com calma. Agora eu quero apenas curtir esse e, somente depois, é que vou pensar se haverá outro. Eu nunca imaginei escrever um livro e até agora, embora esteja no segundo, essa idéia não entrou na minha cabeça. Sei que não sou escritor, tenho consciência de que não domino, com perfeição, a nossa língua. Algumas pessoas pedem pra que eu publique as crônicas que escrevi até então, mas, eu acho que devemos lutar para que os livros que alguns baririenses escreveram há tempos, e que são maravilhosos, devem receber o nosso apoio para que saiam das gavetas, a exemplo do que aconteceu com o da Dona Cacilda, maravilhoso, um clássico literário que ficou 30 anos esperando uma oportunidade. Agora tem o livro do Seu Adib Moisés Salomão, um sábio, conterrâneo nosso, que tem dois livros que merecem atenção. Tem também o livro com a coletânea de crônicas do nosso inesquecível Eurico Acçolini, que há anos estou aguardando. O Dirceu Mazoti também tem livros que precisam ser publicados. O livro da nossa querida Rita Rezende, esse, parece-me que vai sair em breve. Se tudo isso acontecer, a nossa cidade estará dando uma bela contribuição para a cultura e registrando a memória da nossa gente. Isso será muito bom. Espero que todos apóiem.

 

CANDEIA - A MURALHA VERDE

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